Você já percebeu que as lágrimas nos acompanham por toda a nossa vida?
Quando nascemos choramos para anunciar para todos a nossa chegada. Nada dessa história de que ficamos assustados, que estranhamos as luzes, o ambiente diferente do qual passamos nossos primeiros nove meses de vida ou pelo leve tapinha do médico. Fazemos isso por puro exibicionismo, afinal, somos novos no pedaço e alguém precisa comemorar a nossa chegada.
Depois continuamos a chorar. Só que por motivos diversos, como fome, frio/calor, cólicas ou porque queremos ficar no colo sentindo o calor de alguém que nos passe proteção.
Com os primeiros passos, damos nossos primeiros tombos e mais lágrimas de susto ou de dor.
Ainda nessa fase aprendemos que chorar às vezes é um bom negócio, com isso descobrimos a famosa “birra”. Coitado dos nossos pais, daqui para frente tudo que quisermos tem de ser feito, senão, mais lágrimas.
Conforme vamos crescendo passamos a controlar mais nossas lágrimas e a esconder os nossos sentimentos. Muitas vezes deixamos de chorar perto das pessoas por vergonha de expressar o que realmente estamos sentindo e guardamos o choro para um momento particular, só nosso. Ou então, precisamos nos manter forte o suficiente para consolar alguém especial que precise da nossa ajuda e atenção.
O interessante é que não importa se as lágrimas são de felicidade ou de tristeza, elas sempre aparecem independentemente da situação e muitas vezes sem que consigamos controlar. Que noiva não se emociona e derrama lágrimas de felicidade em seu casamento, quando vemos o nosso nome entre os aprovados do vestibular ou quando conseguimos realizar aquele sonho que temos desde criança, no entanto, nem sempre nossas lágrimas são fruto de momentos que gostamos de recordar. Também choramos de saudade de quem está longe e de quem já não tem mais como voltar.
Se por um lado anunciamos a nossa chegada com um chorinho ardido e de felicidade para nossos pais, quando partimos, o fazemos em silêncio e deixamos que outras lágrimas, de outras pessoas, sejam derramadas por que desde momento em diante estaremos ausentes, ou melhor, presentes apenas nas boas lembranças e momentos felizes que, um dia, compartilhamos com eles.
Essa semana o que me chamou a atenção foi o choro de tristeza de uma garotinha que não queria se despedir do corpo do avô e encontrou consolo nos braços da mãe, a mesma que a acalmou no dia de seu nascimento. O choro que no domingo foi de alegria por reencontrá-lo, ainda vivo, na segunda foi pela tristeza de ter de vê-lo partir.
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