Era uma manhã de sexta-feira do mês de
agosto. Eu estava próximo a uma escola quando uma mulher me olhou triste e
disse, “é, para morrer basta estar vivo!”
Frase óbvia, mas com muito significado. Principalmente quando ela te marca por
causa de uma tragédia ou uma perda. Lembro até hoje tudo que aconteceu depois
daquele encontro. Na lembrança ainda está vivo todas as especulações, rumores e
dúvidas acerca de um acidente que vitimou quatro jovens, dentre eles, uma
amiga.
Ela era jovem, adorava se divertir e
alegrar àqueles ao redor dela. Se não fosse o trágico destino, ela,
provavelmente, ainda teria muitos anos de vida, mas, infelizmente, não teve.
Eles voltavam de uma festa quando o carro
em que eles estavam se chocou com um poste e pôs fim às vidas deles. Ainda era
madrugada, mas a correria de ambulância, corpo de bombeiros e socorro foi
grande para tentar salvar algum possível sobrevivente.
A hora foi passando e a confirmação das
mortes foi apenas uma questão de tempo. A notícia que ninguém gostaria de
receber veio assim que as vítimas deram entrada na unidade de atendimento
hospitalar, embora já soubessem que não havia mais esperança no momento em que
foram retirados pelo resgate.
Ainda pela manhã, peritos trabalhavam no
local onde ainda restava muita tristeza e dúvidas, além da lataria retorcida de
um automóvel, o corpo do motorista, coberto por um saco preto; e muitos curiosos,
inclusive eu, querendo ver os estragos provocados, talvez, por uma infelicidade
do destino, embriaguez, falha mecânica ou o que quer que tenha sido concluído
na época pela perícia.
Muitas pessoas não aceitam o fato de algumas
pessoas morrerem ainda muito jovens. Para elas, a morte está ligada a pessoas
idosas e doentes. Na verdade, deveria mesmo ser assim, mas não é. A morte não
tem preferência por idade ou patologias. De repente, você pode passar mal e não
resistir, independentemente se você é recém-nascido ou um centenário.
Quantas vezes não ouvi pessoas
comentando que fulano sofreu um infarto fulminante e nem teve tempo de ser
atendido. Quantas crianças e adolescente deixam este mundo vitimados pelo
temível e impiedoso Câncer?
Existe uma música do Legião Urbana que
diz,“É tão
estranho, os bons morrem jovens. Assim parece ser quando
me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais. Quando
eu lhe dizia me apaixono todo dia e sempre a pessoa errada,
você sorriu e disse, eu gosto de você também, só que você foi
embora... cedo demais! Eu continuo aqui meu trabalho e
meus amigos e me lembro de você em dias assim. Dia de chuva,
dia de sol e o que sinto não sei dizer... Vai com os anjos.
Vai em paz. Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade.
Até a próxima vez... É tão estranho, os bons morrem antes.
Me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais!
E cedo demais... Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis,
só não aprendi a perder e eu que tive um começo feliz... Do resto
não sei dizer. Lembro das tardes que passamos juntos, não é
sempre, mais eu sei que você está bem agora. Só que neste mundo,
o verão acabou cedo demais!”
Se realmente os bons morrem
jovens, eu não sei dizer, mas que deixam um imenso vazio recheado de saudades,
eu não posso negar.
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