quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Os bons morrem jovens


Era uma manhã de sexta-feira do mês de agosto. Eu estava próximo a uma escola quando uma mulher me olhou triste e disse, “é, para morrer basta estar vivo!” Frase óbvia, mas com muito significado. Principalmente quando ela te marca por causa de uma tragédia ou uma perda. Lembro até hoje tudo que aconteceu depois daquele encontro. Na lembrança ainda está vivo todas as especulações, rumores e dúvidas acerca de um acidente que vitimou quatro jovens, dentre eles, uma amiga.
Ela era jovem, adorava se divertir e alegrar àqueles ao redor dela. Se não fosse o trágico destino, ela, provavelmente, ainda teria muitos anos de vida, mas, infelizmente, não teve.
Eles voltavam de uma festa quando o carro em que eles estavam se chocou com um poste e pôs fim às vidas deles. Ainda era madrugada, mas a correria de ambulância, corpo de bombeiros e socorro foi grande para tentar salvar algum possível sobrevivente.
A hora foi passando e a confirmação das mortes foi apenas uma questão de tempo. A notícia que ninguém gostaria de receber veio assim que as vítimas deram entrada na unidade de atendimento hospitalar, embora já soubessem que não havia mais esperança no momento em que foram retirados pelo resgate.
Ainda pela manhã, peritos trabalhavam no local onde ainda restava muita tristeza e dúvidas, além da lataria retorcida de um automóvel, o corpo do motorista, coberto por um saco preto; e muitos curiosos, inclusive eu, querendo ver os estragos provocados, talvez, por uma infelicidade do destino, embriaguez, falha mecânica ou o que quer que tenha sido concluído na época pela perícia.
Muitas pessoas não aceitam o fato de algumas pessoas morrerem ainda muito jovens. Para elas, a morte está ligada a pessoas idosas e doentes. Na verdade, deveria mesmo ser assim, mas não é. A morte não tem preferência por idade ou patologias. De repente, você pode passar mal e não resistir, independentemente se você é recém-nascido ou um centenário.
Quantas vezes não ouvi pessoas comentando que fulano sofreu um infarto fulminante e nem teve tempo de ser atendido. Quantas crianças e adolescente deixam este mundo vitimados pelo temível e impiedoso Câncer?
Existe uma música do Legião Urbana que diz,“É tão estranho, os bons morrem jovens. Assim parece ser quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais. Quando eu lhe dizia me apaixono todo dia e sempre a pessoa errada, você sorriu e disse, eu gosto de você também, só que você foi embora... cedo demais! Eu continuo aqui meu trabalho e meus amigos e me lembro de você em dias assim. Dia de chuva, dia de sol e o que sinto não sei dizer... Vai com os anjos. Vai em paz. Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade. Até a próxima vez... É tão estranho, os bons morrem antes. Me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais! E cedo demais... Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis, só não aprendi a perder e eu que tive um começo feliz... Do resto não sei dizer. Lembro das tardes que passamos juntos, não é sempre, mais eu sei que você está bem agora. Só que neste mundo, o verão acabou cedo demais!”
Se realmente os bons morrem jovens, eu não sei dizer, mas que deixam um imenso vazio recheado de saudades, eu não posso negar. 

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