Esta semana foi comemorado o Dia do
Irmão. O dia todo as pessoas postaram no Facebook frases e fotos acompanhadas
dos irmãos, revelando os momentos fraternos e felizes que passaram juntos.
Por vontade do destino eu não pude fazer o
mesmo, apesar de minha mãe ter engravidado três vezes, eu sou o único filho vivo,
mas mesmo assim eu tenho um momento junto à minha irmãzinha que gostaria de
compartilhar.
Eu ainda era pequeno, apenas cinco anos e
meio, mas me lembro de tudo como se tivesse acontecido ontem. Minha mãe estava
no banho quando começou a hemorragia, corremos para o hospital e a cesariana
foi realizada. Nasceu uma bela menina, Suéllen, de sete meses e meio e alguns
problemas respiratórios.
Três dias depois do nascimento, incubada
e após muita falta de ar, ela nos deixou e levou com ela a oportunidade de eu
ter alguém para crescer junto a mim, me deixando sozinho.
A primeira vez que a vi ela já estava
sem vida deitada no necrotério do hospital para ser preparada para o funeral.
Ela parecia uma boneca descansando o sono dos justos, uma verdadeira anjinha do
Senhor. Fiz um carinho inocente no rosto da irmãzinha que jamais veria
novamente e que nem iria brincar com a bola que eu havia comprado para dar a ela
de presente quando chegasse em casa.
Minha mãe ainda estava internada e nem
pode se despedir, eram duas perdas em menos de um ano (um aborto e agora a
bebê). O velório foi na casa de minha avó paterna e de lá seguimos para o
cemitério. Um caixãozinho branco levando dentro a minha provável companheira de
travessuras, a menininha que eu iria defender dos marmanjões mal intencionados,
a culpada de todas as minhas artes, a pessoinha que eu iria brigar por causa de
um ou outro brinquedo, mas que depois de alguns segundos estaria novamente
brincando e sorrindo ao meu lado.
Tudo isso já passou e nesses vinte e
quatro anos de sua chegada e partida eu, às vezes, me pergunto como seria se a
Suellen estivesse aqui conosco. Será que teríamos os mesmos gostos, seríamos
amigos e teríamos as mesmas oportunidades? Isso ninguém poderá saber.
Por muitas vezes me perguntaram como é
não ter irmãos, se é legal ser filho único, mas sempre respondi que eu tive uma
irmã e que ela havia morrido bebê. No entanto, não sei explicar como é a
sensação de ter e ser um irmão ou dividir o colo dos nossos pais.
A todos os irmãos eu deixo minhas
felicitações. Aos que perderam seus irmãos eu deixo um conforto amigo e confissão
de que compartilho da mesma dor neste dia.
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