quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Minha irmãzinha é um anjo!



Esta semana foi comemorado o Dia do Irmão. O dia todo as pessoas postaram no Facebook frases e fotos acompanhadas dos irmãos, revelando os momentos fraternos e felizes que passaram juntos.
 Por vontade do destino eu não pude fazer o mesmo, apesar de minha mãe ter engravidado três vezes, eu sou o único filho vivo, mas mesmo assim eu tenho um momento junto à minha irmãzinha que gostaria de compartilhar.
Eu ainda era pequeno, apenas cinco anos e meio, mas me lembro de tudo como se tivesse acontecido ontem. Minha mãe estava no banho quando começou a hemorragia, corremos para o hospital e a cesariana foi realizada. Nasceu uma bela menina, Suéllen, de sete meses e meio e alguns problemas respiratórios.
Três dias depois do nascimento, incubada e após muita falta de ar, ela nos deixou e levou com ela a oportunidade de eu ter alguém para crescer junto a mim, me deixando sozinho.
A primeira vez que a vi ela já estava sem vida deitada no necrotério do hospital para ser preparada para o funeral. Ela parecia uma boneca descansando o sono dos justos, uma verdadeira anjinha do Senhor. Fiz um carinho inocente no rosto da irmãzinha que jamais veria novamente e que nem iria brincar com a bola que eu havia comprado para dar a ela de presente quando chegasse em casa.
Minha mãe ainda estava internada e nem pode se despedir, eram duas perdas em menos de um ano (um aborto e agora a bebê). O velório foi na casa de minha avó paterna e de lá seguimos para o cemitério. Um caixãozinho branco levando dentro a minha provável companheira de travessuras, a menininha que eu iria defender dos marmanjões mal intencionados, a culpada de todas as minhas artes, a pessoinha que eu iria brigar por causa de um ou outro brinquedo, mas que depois de alguns segundos estaria novamente brincando e sorrindo ao meu lado.
Tudo isso já passou e nesses vinte e quatro anos de sua chegada e partida eu, às vezes, me pergunto como seria se a Suellen estivesse aqui conosco. Será que teríamos os mesmos gostos, seríamos amigos e teríamos as mesmas oportunidades? Isso ninguém poderá saber.
Por muitas vezes me perguntaram como é não ter irmãos, se é legal ser filho único, mas sempre respondi que eu tive uma irmã e que ela havia morrido bebê. No entanto, não sei explicar como é a sensação de ter e ser um irmão ou dividir o colo dos nossos pais.
A todos os irmãos eu deixo minhas felicitações. Aos que perderam seus irmãos eu deixo um conforto amigo e confissão de que compartilho da mesma dor neste dia.

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