sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Falsas horas

Vocês já pararam para pensar que o tempo nunca é como queremos, embora ele seja sempre igual? E que as condições e as situações que vivenciamos estão diretamente ligadas a essa falsa percepção de mais ou menos tempo restante?
Analisemos os seguintes cenários:
Uma pessoa que está presa, privada do seu direito de ir e vir por consequência de seus atos, tem uma impressão de tempo diferente de outra que é livre. Na cela, restrito a um espaço pequeno e compartilhado com outras pessoas, o tempo da pena pode sim parecer bem maior do que realmente é.  Os dias de visita parecem nunca chegar e o momento de voltar às ruas também se torna quase uma eternidade.
Agora se você está feliz devido a um momento de conquistas, o tempo já parece voar. Os dias passam e a felicidade parece encurtar cada minuto, transformando o seu dia a dia em algo especial, gostoso de viver e por isso nem faz com que você se atente ao tempo.
Quando o cenário envolve despedida, doença ou dor, o contexto já fica diferente. Sempre queremos que o tempo seja o mais demorado possível para se ter a oportunidade de dizer o não dito, reparar o mal feito ou apenas um momento a mais para ser registrado e virar recordações que mais tarde alimentarão as saudades.
Outras situações também são interessantes. Sempre em consultório médico parece que nunca vai chegar a nossa vez. Na rodoviária é sempre a mesma coisa, sempre o seu ônibus é o último a chegar, no entanto, quando estamos atrasados, parece que ele foi o primeiro a partir. No banco, então, a nossa senha nunca é a próxima a ser chamada e assim segue a diferença entre o tempo real e o tempo de nossa percepção.
Nascemos, passamos pela nossa infância e sem que tivesse tomado muito tempo nos vemos crescidos, já adultos e cheios de responsabilidades que tomam todo o nosso tempo.

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