sexta-feira, 27 de julho de 2012

O feitiço virou contra o feiticeiro


Criança adora fazer bagunça e se divertir inventando historinhas para assustar os coleguinhas mais medrosos. Quando pequeno, confesso que fui muito sapeca e aproveitei bastante dos meus amiguinhos mais bobinhos. Mas um dia, a minha arte acabou por me deixar mais amedrontado que eles.
Em uma noite, das muitas que ficava com minha mãe na cozinha enquanto ela dava aulas de pintura em tecido, eu convidei as alunas dela, que também eram minhas amigas, para brincar daquele famoso jogo de perguntas invocando os mortos e utilizando um compasso.
As meninas toparam e eu combinei com uma amiga de deixar as duas outras, que eram irmãs, com medo. Nós armamos de inventar uma história e colocamos o plano assustador em prática.
Pegamos uma folha de papel e fizemos um círculo com as letras do alfabeto. Colocamos o compasso no meio e começamos a nossa sessão chama espíritos rezando um Pai Nosso. Não demorou nada e o compasso já começou a se mexer, claro que quem o mexia era eu. Minha amiga e eu começamos a fazer as perguntas e as irmãs se tremiam de medo com as respostas de nossa alma penada que participava da brincadeira.
Jogamos por uma meia hora e depois resolvemos parar porque já era tarde e tínhamos aula no outro dia pela manhã.
Todo mundo foi embora e eu fui para a cama. Detalhe, só fui para a cama, mas não consegui dormir, não antes de ter me arrependido de mexer com o que eu não deveria ter mexido.
De repente, do nada, um gato, ou algo parecido, começou a fazer barulho e não parava mais de miar bem de baixo da janela do meu quarto. O mais estranho é que sempre tivemos cachorros em casa e cachorros odeiam gatos, então, como aquele gato ainda estava ali e os cachorros não o espantavam de lá?
Fiz o que todo filho com medo faz, fui até minha mãe. Contei a história para ela e ela me pôs mais medo ainda. Disse que não deveria ter brincado daquilo, me falou que era aquele espírito imaginário da brincadeira que tava lá na janela e me disse para rezar para que ele fosse embora. Fazer o quê, né? Rezei. E não é que deu certo! O barulho parou e eu consegui dormir.
No outro dia fui até a casa da minha amiga, comparsa na brincadeira, contei o que havia acontecido e decidimos ir ao cemitério para ver se encontrávamos o túmulo que havíamos inventado. Para nossa surpresa não tinha sido invenção nenhuma. O túmulo existia. Era igualzinho ao que tínhamos descrito na brincadeira e o pior, o nome, data e cor batiam com as respostas. E aí, o que fazer naquela hora? Adivinha? Corremos e fomos para fora do cemitério.
Depois de todo esse sufoco decidimos nunca mais por medo em ninguém. Tá certo que vez ou outra eu ainda prego as minhas peçinhas em alguém, no entanto, depois de crescido, já não possuo a mesma imaginação fértil que ouve barulho do lado de fora da casa e fica imaginando coisas, nem a ingenuidade de acreditar que realmente tinha sido verdade aquela incrível coincidência. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O chamado


Rebeldia, tentações e provações são necessárias na vida de muitas pessoas antes de elas conseguirem enxergar o verdadeiro caminho que deveriam seguir.
Independentemente da religião, o chamado chega e as mudanças são visíveis e com elas a certeza de que o tempo ruim ficou para trás para dar espaço para as boas novas preparadas por Deus.
Já vi muitos casos de pessoas que se desviam e tomam direções erradas, mas que depois de um tropeço ou uma rasteira do destino passam a buscar uma razão para as suas vidas.
Conheci uma vez um homem que não fez questão nenhuma de esconder a história da vida dele.
Ele me contou que desde muito pequeno sempre foi muito mulherengo. Não podia ver um rabo de saia e logo corria atrás para sentir os prazeres que aquela mulher poderia oferecê-lo. Esse homem se casou e continuou a sair com todas as mulheres que cediam às suas cantadas.
Juntos com as noitadas com as amantes e longe da esposa e dos filhos, ele se endividou comprando presentes para as outras e, em consequência disso, passou a compensar no álcool a sua incapacidade de controlar os impulsos que desestruturavam o casamento e a vida particular e profissional dele.
No entanto, a esposa desse homem o amava tanto que procurou um meio de levá-lo a uma igreja, o que de fato contribuiu para ele, aos poucos, começar a perceber que a verdadeira felicidade e o verdadeiro prazer não estavam nas noites que passava com outras mulheres, no sexo, que às vezes nem era tão bom, mas na paz que encontrava dentro da própria casa junto à esposa e aos filhos.
Ele começou então a participar das reuniões da igreja e se tornou um novo homem, embora ainda lutasse contra a tentação.
Por muitos anos pregou em nome de Jesus e levou conforto espiritual para muitas pessoas que passavam o que ele viveu um dia. Começou a dar testemunho da experiência que havia vivido e, com certeza, deve ter mexido na consciência de muita gente, que, assim como ele, um dia foi tentado e cedeu à tentação.
Esse homem era uma pessoa muito alegre. Adorava contar histórias do trabalho que exercia, falar das mudanças que Deus operou na vida dele e demonstrava ser apaixonado por pássaros e pela família, em especial pelo filho caçula, de quem ele sempre lembrava em qualquer loja que houvesse um brinquedinho para levar como mimo.
Hoje, ele já não faz mais parte da família que tanto judiou e que depois teve tempo para devolver para eles o pai e o esposo que havia deixado de ser, ou que, na verdade, nunca tinha sido. Agora, ele prega junto a Deus, após morrer subitamente e sem ter tido tempo para despedidas. Talvez um chamado que tocou o coração dele no momento exato de fazer feliz, mesmo que por pouco tempo, uma família que hoje sente e chora pela falta de um pai e marido amoroso e temente a Deus, e não por não ter tido a chance de passar bons momentos junto a ele.
Como ele encontrou o caminho da salvação, assim muita gente também encontrará. Se você passa por uma situação parecida, tenha fé e nunca desista, pois Deus opera milagres e mudanças nos corações no tempo certo.