Minha infância ainda vive saudosamente dentro de mim. Uma época onde tudo era novo e nada tinha malícia.
Lembro-me ainda da correria que foi para minha mãe conseguir me matricular na pré-escola. Por muito pouco eu não vi meus amiguinhos iniciarem sua vida escolar sem a minha companhia.
A professora, a primeira, a que nunca irei esquecer, era doce e ao mesmo tempo severa. Desde cedo ela nos ensinou a ter disciplina e horários, tanto para brincar quanto para aprender.
Era uma diversão só. Brincávamos e sem perceber aprendíamos brincando. Quem nunca colou algodão na letra no seu nome?
Nossa principal atividade física era brincar no balanço, gangorra, corre-corre, pega-pega, piquenique e outras inúmeras atividades onde nossos sonhos e idealizações de criança ganhavam espaço e invadiam todo o nosso universo.
No início dos anos 90 eu comecei a freqüentar o ensino básico, era uma novidade sem tamanho. Todas as crianças queriam estudar na escolona e eu não era diferente delas.
Se já tínhamos rigidez na pré-escola, imagine só na primeira série, Solange, a professora, era a mais temida e respeitada, talvez a melhor para iniciar a minha alfabetização.
A atividade física da época, não exigia resultados e nem performances de campeões, pelo contrário, ajudava-nos a trabalhar em coletividade.
As séries foram passando e os esportes e responsabilidades dentro da disciplina aumentando. Quem nunca ouviu que Educação Física não retém nenhum aluno?
A partir da quinta-série a fascinação tomou conta. Nós éramos selecionados para disputar os campeonatos regionais. Era a maior alegria fazer parte de um dos times. Imagine então alegria que foi trazer no peito a primeira medalha de campeão para a nossa escola.
Ano a ano as competições ajudavam a estimular e a trazer mais e mais alunos a praticar a educação física com mais responsabilidade.
O colegial chegou e as aulas de educação física acabaram. Estudávamos à noite e por isso éramos dispensados da disciplina. Mas a dispensa não foi um entrave para cercear o meu gosto por jogar e competir. Como não era obrigado a fazer a matéria, participava das aulas de treinamentos, com essas aulinhas extras continuava praticando vôlei e disputando campeonatos.
Hoje, eu, continuo sendo o mesmo Paulo Roberto Aparecido Pansanatto que há 20 anos, pequeno, ansioso e um tanto que receoso, deu início à sua aprendizagem. Feliz, hoje não me arrependo de ter levado a sério a disciplina que para muitos não repetia e que por isso não era levada a sério.